“Não é apenas o que você come, mas como perde o controle diante da comida”, afirma a endocrinologista e metabologista Carolina Mantelli
Sair da dieta em uma refeição não significa perder o controle. O mesmo alimento, a mesma quantidade e até a mesma situação podem representar apenas uma escolha consciente ou revelar uma relação problemática com a comida. A diferença está principalmente na capacidade de decidir quando começar e quando parar.
Para a endocrinologista e metabologista Carolina Mantelli, olhar apenas para as calorias deixa de fora uma parte importante dessa relação. “Uma exceção planejada acontece quando a pessoa escolhe comer e continua no comando da decisão. No descontrole, aparece a sensação de não conseguir parar, mesmo quando já não queria continuar comendo”, explica.
A própria definição clínica da compulsão alimentar considera a sensação de perda de controle um elemento relevante. Estudos sobre o tema também associam esse comportamento a maior sofrimento psicológico e a dificuldades no controle do peso ao longo do tempo.
Cansaço, estresse e exaustão podem tornar essa fronteira ainda mais delicada. Depois de um dia de pressão e inúmeras decisões, a capacidade de fazer escolhas conscientes pode diminuir. “Muitas vezes, o episódio que acontece à noite não começa com fome. Ele aparece depois de um dia de restrição, cobrança e desgaste físico e emocional”, afirma Carolina.
Dietas muito rígidas também podem favorecer o problema. Quando determinados alimentos são tratados como absolutamente proibidos, um pequeno desvio pode despertar o pensamento de “já estraguei tudo”. A exceção, então, abre espaço para o excesso.
“Transformar um alimento em proibido aumenta o peso emocional que ele ocupa. Uma escolha fora do planejamento não deveria significar abandonar todo o processo”, ressalta a endocrinologista.
A reação depois de comer também faz diferença. Culpa, punição e restrições ainda maiores podem alimentar um novo ciclo de descontrole. Retomar a rotina na refeição seguinte, sem compensações extremas, tende a ser uma estratégia mais sustentável.
“Uma exceção não destrói um processo. O sinal de alerta está na repetição da perda de controle, no sofrimento e na sensação de não conseguir escolher. Alimentação saudável também precisa comportar flexibilidade”, conclui Carolina Mantelli.

Fonte e foto: Assessoria de Imprensa.
